Internado, pai vê nascimento da filha por vídeo chamada em BH

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Desde pequeno, o sonho do dentista Bernardo Otero Grossi, de 31 anos, era o de ser pai. O desejo se realizou no dia 12 de abril, quando a pequena Olívia veio ao mundo. O que Bernardo não esperava era que no “dia mais importante” de sua vida, ele estaria internado com inflamação no nervo ótico, em um hospital na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

“Comecei a perder a visão, comecei a ver tudo embaçado, procurei ajuda médica e a primeira coisa que falei era que eu precisava voltar a enxergar porque minha filha ia nascer, entrei em desespero. Depois de uma bateria de exames, foi diagnosticada uma inflamação no nervo ótico e sigo internado para o tratamento”, contou.

Bernardo está hospitalizado desde o dia 23 de março, sem previsão de alta. As últimas consultas de pré-natal da mulher ele também acompanhou por meio do celular.

“Como eu já sabia que não ia conseguir acompanhar o parto, decidimos usar o recurso da videochamada. Acompanhei todo o processo, desde o início, internação, evolução e o momento mais mágico, que foi ver a Olívia chegar ao mundo. Fiquei tão emocionado que comecei a passar mal de novo, mas deu tudo certo”, disse o pai.

O dentista não vê a hora de receber alta para carregar a filha e reencontrar a mulher, a arquiteta Maria Luiza Zacour, de 29 anos, que, devido à pandemia, não pôde ir ao hospital visitá-lo todos os dias.

“Momento muito difícil, ao mesmo tempo. Eu a conheci, mas não pude carregar no colo, né? Não dá para descrever a sensação. Preciso continuar forte para sair o quanto antes para conhecer a pequena pessoalmente”, disse ele.

Maria Luiza tinha esperança que o marido recebesse alta para acompanhar o parto. Mas não deu tempo. Ela entrou em trabalho de parto com 38 semanas.

“Passamos por algo que nunca poderia imaginar. Ele é muito presente e participativo em tudo, e com a gestação não foi diferente. Não ter ele no parto é algo que nunca passou pela cabeça. Acreditávamos que ele sairia do hospital a tempo do parto, que seria algo rápido e ele ficaria pouco lá”, disse ela.

Entre uma contração e outra, a arquiteta dividia os pensamentos entre a chegada da filha e a falta do marido neste momento ao lado dela.

“Quando vi o rostinho dele na tela, não sei explicar o conforto que senti no coração”, contou.

Ela e a filha estão em casa, passam bem e esperam Bernardo chegar também, “100% recuperado”.

“Temos que acreditar que dias melhores virão e que vai dar tudo certo. Tudo vai ficar bem logo”.

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